Sempre falei que ia escrever artigos sobre os livros que leio, mas adiava isso, até que com esse grande insight retirado do livro “Skin in the Game” (Ou pele em jogo, em português… ao menos acho que quando traduzirem será assim) decidi colocar isso em prática.

PELE EM JOGO

O livro que aqui vou chamar de pele em jogo, mas que não existe traduzido e que seu título original é “Skin in the game” é de um dos meus autores favoritos, Nicholas Nassim Taleb.

Para entender bem os conceitos que estão aqui, é interessante entender a sequência de livros do autor, pois esse título é uma continuidade de uma série dele.

O seu primeiro livro nessa linha de raciocínio foi o “Iludido pelo Acaso” onde ele fala sobre como as pessoas se relacionam com a sorte, ou com a estatística, e como são iludidos por isso pela sua falta de conhecimento.

No segundo livro, “A lógica do cisne negro” (que tem um resumo no Resumocast e você pode escutar aqui), ele fala sobre o impacto de eventos extraordinários, e como somos cegos para isso. Nós não temos ideia de que existe muitas coisas que “não sabemos que não sabemos”

No terceiro livro, “Antifrágil” resumido essa semana aqui, ele fala sobre como você pode se beneficiar dos eventos do tipo “cisne negro” e de como algumas pessoas ou organizações podem se beneficiar do caos.

No quarto livro, agora sim o “Pele em jogo” ele fala sobre como o compartilhamento “ou ausência de” riscos muda completamente as relações entre pessoas e resultados de negócios e sistemas.

Se isso te interessa, vamos lá que vou debater algumas das principais ideias que me chamaram atenção.

Se quiser saber um pouco mais sobre minhas leituras, tenho um artigo que falo sobre os 52 livros que li em 2016, e outro sobre o que aprendi lendo esses 52 livros.

NÃO ACEITE CONSELHOS DE QUEM VIVE DE DAR CONSELHOS

Esse sem dúvida é o insight mais marcante. Não aceite conselhos de quem vive e ganha dinheiro dando conselhos. Não aceite conselhos de quem fica escrevendo sobre qualquer coisa no seu blog pessoal (rsrsrs). Não aceite conselhos de quem não assume parte dos riscos junto com você.

A verdade é que muitas relações e negócios são marcados por assimetrias, onde uma pessoa recomenda uma ação a outra, e se der certo, ambos ganham, se der errado, apenas uma perde.

Quando você paga alguém para lhe dar conselho, ele não tem risco relacionado a resultado, ele está simplesmente sem a “pele em jogo”.

Em um exemplo clássico, ele demonstra a assimetria de riscos de conselhos financeiros.

O seu gerente do banco te recomenda investimentos, mas será que ele investe nesse investimento que ele está lhe recomendando?

As pessoas te falam que bitcoin é o investimento do futuro, mas será que elas estão com boa parte do seu dinheiro investido em bitcoin?

E mais, as pessoas que te dão conselho, além de não assumir riscos, muitas vezes são compensadas por resolver “problemas complexos” então não existe interesse nela em simplificar os problemas, em encontrar melhores e mais práticas soluções.

Infelizmente nem tudo no mundo existe compartilhamento de riscos, algumas regras mesmo você discordando não irão mudar, então uma forma de evitar os problemas por conta da assimetria é buscar pessoas que já tiveram a “pele em jogo”.

CONSELHOS DE QUEM JÁ TEVE A PELE EM JOGO

Essa ideia já começou a ser explorada no livro anterior, chamado antifrágil, mas fica mais evidente aqui.

Quando você vai em um nutricionista por exemplo, não tem como ele assumir parte do risco da dieta que ele está lhe recomendando, mas você pode conferir se ele já esteve com a pele em jogo, e isso afeta muito o valor dos conselhos dele.

Por isso, sou contra nutricionistas gordos, médicos fumantes, professores de negócios que não empreenderam, dentistas com cáries. Eles não colocam nem sua pele em jogo, nem compartilham riscos.

É muito fácil um nutricionista lhe falar cientificamente qual a melhor dieta para emagrecer, mas será que ele ficou por meses comendo aquilo que está te passando para sentir na pele como é difícil um regime para uma pessoa acima do peso?

Emagrecer não é somente sobre alimentos, é sobre hábitos, emoções, controle emocional, disciplina, força de vontade, e o nutricionista que não viveu na pele tudo isso só sabe um dos itens dessa lista.

Negócios é sobre não saber como pagar a sua folha de pagamento, é sobre não fechar uma venda que você precisava, é sobre ter imprevistos e se virar para resolver, e não sobre saber gerenciar centros de custos ou montar uma estratégia de marketing.

Quando lhe oferecerem a teoria ou a prática, sempre prefira a prática.

NÃO ME FALE O QUE FAZER, ME FALE O QUE VOCÊ FARIA NO MEU LUGAR

Esse outro grande insight muda muito a perspectiva de como buscar conhecimento. Não é sobre a resposta “certa” mas sim sobre a mais adequada para aquela situação.

E a verdade é que para responder essa pergunta, a melhor pessoa é aquela que já esteve em seu lugar.

O autor em uma das frases do seu livro anterior fala, “aquele que pecou apenas uma vez é mais confiável do que aquele que nunca pecou”.

Pode parecer muito forte, mas a ideia é que aquele que sempre acertou nas decisões talvez tenha vivenciado poucas experiências comparado aqueles que acertaram apenas depois de errar muitas vezes.

Eu adotei esse mindset, quando preciso pensar sobre uma campanha de marketing não vou buscar alguém que vez uma vez uma campanha bem sucedida, mas sim aquele que fez muitas campanhas sem sucesso e mudou muitas vezes de rumo até achar um caminho. Ele certamente esteve com a “pele em jogo” por muito mais tempo e é dele que quero conselhos.

 

Faz sentido essa reflexão sobre insight de livros para você?

Me avisa se tem interesse em mais conteúdos assim.