O DIA EM QUE DESISTI DE SER PRODUTIVO

Em alguns momentos sentia que estava fazendo muito e alcançando pouco, que não estava sendo produtivo.

Muitas horas trabalhadas, muitas tarefas na minha lista.

Estava no meio do caos, e com medo de parar para pensar. Não podemos perder tempo afinal.

Você já passou por isso? Eu já passei por isso, superei esses momentos de caos, abri espaço em minha vida. Mas pouco depois todo esse caos costuma voltar.

Pedi demissão do emprego (se quer saber porque pedi as contas e larguei um salário de mais de R$10.000/mês veja esse artigo), liberei tempo na minha agenda, comecei novos negócios e voltei para o ciclo das listas de tarefas intermináveis.

Busquei ser mais produtivo, otimizar minha agenda, criar blocos de tempos, executar pomodoros, utilizar sistemas, aplicativos, listas, diários, metrificar meu tempo. Me sentia a cada semana mais produtivo, mas isso não bastava.

Foi quando entendi que produtividade é muito mais sobre falar não, do que sobre fazer mais.

Falar não para boas ideias, para bons negócios, para algumas oportunidades. Falar não para alguns pequenos desejos em troca de alguns sonhos maiores.

A verdade é que você passa a ser muito mais produtivo quando deixa de buscar a todo tempo a produtividade, e quando começa a falar muito mais não do que sim.

TIRE O PESO DE SER PRODUTIVO DAS SUAS COSTAS

Você faz listas?

Se sim, aposto que seu sistema de fazer listas já deve ter se modificado muitas vezes.

Listas no papel, no aplicativo, listas por prioridades, lista por frentes de trabalho, listas do dia, listas da semana, lista de metas de curto, médio e longo prazo.

As listas começam funcionando muito bem, mas depois perdem a eficiência. Elas perdem a eficiência no primeiro dia que você não conseguir riscar a lista inteira.

Isso acontece porque a lista gera um peso nas suas costas… está ali tudo que você julgou que seria capaz de fazer. E quando você não consegue, a frustração chega.

Tudo bem, riscar os itens da lista é divertido e motivador. Ela pode ajudar a lembrar do que você precisa fazer, e isso é importante.

Não quero descartar aqui a ideia de ter listas (eu faço lista de compras, para não esquecer nada do que preciso no mercado). Mas não crie um peso nas suas costas e se cobre uma produtividade absurda.

Antes eu fazia listas, com muitos itens, segmentada por contexto, prioridade e duração. Desisti.

Sabe o que tem na minha lista do dia de hoje? Um único item: “Escrever um artigo foda meu no blog sobre deixar de ser produtivo”.

Minha lista hoje é feita baseada em uma única pergunta. O que eu preciso fazer hoje para sentir que meu dia valeu a pena?

Isso não significa que eu só tenha isso para fazer hoje. Eu ainda tenho que postar as publicações nas midias do ResumoCast e do Liberdade Financeira, tenho que revisar um projeto de consultoria em SEO, revisar um material para uma sessão de coach no final de semana, tabular alguns números de crescimento do ResumoCast, programar uma mailing list para amanhã, escrever um post no ResumoCast e muito mais.

Mas isso não vai para minha lista. Se algo disso não rolar, paciência. Mas o artigo foda vai sair. Por isso eu não coloco na lista escrever um artigo, mas sim “Escrever um artigo foda meu no blog sobre deixar de ser produtivo”.

Tem muito mais emoção e dopamina em riscar esse único item do que todos os demais.

E ao começar a fazer isso, me conectei com a Lei de Pareto.

COMO A LEI DE PARETO TE TORNA MAIS PRODUTIVO

pareto para ser mais produtivo

Lembra que falei sobre a importância de falar “não”?

Estou tendo que exercitar isso agora. Como você viu ali em cima, se eu fizesse uma lista de tarefas, teria muita coisa, muitos projetos.

E eu justamente me achava muito produtivo por conseguir tocar vários projetos ao mesmo tempo.

É blog pessoal, Resumocast, Liberdade Financeira, consultoria em SEO e marketing digital, coach, livro publicado, investimentos e por aí vai.

A verdade é que eu estava me sentindo produtivo ao invés de estar realmente sendo produtivo.

Fazia muita coisa, mas no final do mês, parecia que só tinha apagado incêndios.

E a produtividade na verdade vem de fazer pouco, muito pouco… mas fazer aquilo que verdadeiramente gera o resultado.

É sobre fazer 20% das tarefas e ter 80% dos resultados. É sobre delegar o que não é essencial e outro pode fazer por você.

Recentemente, ao decidir que tenho que me desligar de algumas das iniciativas acima, muitos amigos já vieram com ideias. Já que você vai deixar de fazer tal coisa, deixa eu te apresentar uma ideia bacana…. o que acha de fazermos X?

NÃO! Não tem sido a palavra que mais tenho usado nessas semanas.

Não para novos projetos, não para velhos projetos, não para oportunidades que talvez não voltem.

Tudo bem, para ser muito bom e ter resultado em algo precisamos aprender a abrir mão de muita coisa.

A verdade é que pode parecer que deixamos passar algo que seria especial. Mas mudei minha forma de pensar ao ver essa frase. “Sempre que você fala sim a algum projeto, você está falando não a outros projetos”.

Toda vez que você topa uma ideia, outra ideia que você já estava executando perde energia, toma um não. Todo “sim” que você fala, algum “não” em outra área está acontecendo. Todo “não” que você fala, é um “sim” que você dá as suas verdadeiras prioridades.

DELEGANDO O NÃO ESSENCIAL PARA SER MAIS PRODUTIVO

Para fechar esse artigo, não podia deixar isso de fora.

Ao ficar sobrecarregado de tarefas fiz uma das coisas mais interessantes da minha vida.

Listei todas minhas atividades recorrentes (aquelas que tenho que fazer toda semana), e notei que isso me tomava de 2h a 4h dos meus dias.

É bastante coisa apenas para manter os projetos rodando, isso sem pensar em atividades não recorrentes, como lançar algo novo, melhorar uma funcionalidade, fazer uma nova parceria.

A minha pergunta para cada uma das atividades foi: “Alguém que não seja eu conseguiria fazer isso?”

A resposta foi sim para quase tudo, talvez algumas dê mais trabalho de documentar processo, ou seja necessária a permissão de acesso a dados dos negócios que não seria interessante.

Mas já que a maior parte pode ser feito por outro, eu fiz a segunda pergunta: “Quanto alguém me cobraria para fazer isso por mim?”

O 99frellas me respondeu essa pergunta. Anunciei uns projetos e pronto. Consegui candidatos para algumas tarefas e seus orçamentos.

A terceira pergunta foi: “Se eu levo 8h para fazer a atividade X, e alguém está disposto a fazer por R$100, porque eu vou fazer?”

Sério, é R$100 para liberar um dia meu de trabalho. De trabalho repetitivo, que talvez a pessoa faça até melhor do que eu. De trabalho que não é motivador, que não é estratégico.

Tudo bem, alguns negócios ainda não dão lucro, não é possível investir e aí? Aí eu tiro do meu bolso mesmo.

A conta é simples. Não é sobre quanto vale a minha hora, é sobre quanto vale a minha vida… o meu tempo.